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Experiência de Estágio em Psicologia PDF Imprimir E-mail
Escrito por Márcio Borges Moreira   
Ter, 12 de Agosto de 2008 16:18

por Rodrigo Monteiro de Castro-Souza (aluno do décimo semestre)

A faculdade “sem sombra de dúvidas” abre várias oportunidades para as pessoas que a procuram em busca de novos conhecimentos. Para quem tem a perspectiva de atuar em uma determinada área, nada melhor do que aplicar os conhecimentos adquiridos ao mesmo tempo em que se aprende os conhecimentos teóricos. O aprendizado torna-se mais palpável, cria novos sentidos e favorece a interação com o contexto do mercado de trabalho.O texto que se segue, é um relato da experiência em estágio que obtive ao longo de 5 anos de faculdade em Psicologia.

Desde o meu segundo semestre em Psicologia no IESB, tinha disponibilidade de tempo na parte da manhã e tarde. Com tempo livre e com boas notas, fui convidado a me tornar monitor de uma disciplina que acabara de ser adaptada ao PSI (Sistema Personalizado de Ensino): História da Psicologia. O PSI é uma tecnologia instrucional desenvolvida por um psicólogo norte americano chamado Fred Keller. Suas principais característica referem-se ao aprendizado priorizando a leitura de um material instrucional auto-explicativo, a execução de exercícios variados e a realização de verificações de aprendizagem que exigem 100% de aproveitamento.

Monitorei durante três meses esta disciplina. Foi aí que começou a minha experiência. Comecei a trabalhar a comunicação, saber explicar de formas diferentes um mesmo assunto, aprendi a correr atrás dos assuntos que não sabia e a ser um pouco mais organizado. Depois desta experiência tive outras também relacionadas à monitoria e tutoria de disciplinadas dentro e fora do PSI. Prestei monitoria em Processos Cognitivos durante um semestre, e durante dois semestres prestei monitoria e tutoria em Processos Básicos de Motivação. Após este tempo como monitor, obtive maior confiança e com a oportunidade tornei-me estagiário para a Disciplina de Processos Básicos de Aprendizagem e Processos Básicos de Motivação, outras disciplinas do Curso de Psicologia do IESB que utilizavam o PSI. Trabalhei durante dois anos com estas disciplinas e no último ano com mais uma disciplina: História da Psicologia, totalmente reformulada.

Skinner apontou que existem três formas de se aprender: por meio das regras; por meio da observação; e por meio da exposição às contingências. No fim como ele mesmo pontuou, apesar de observarmos e seguirmos regras, somente pela exposição teremos o efetivo aprendizado, ou seja, a efetiva experiência prática que todo o aluno busca através das monitorias, tutorias e estágios.

No meu caso, não foi diferente. Quando entrei em contato pela primeira vez com os alunos, para ensiná-los e auxiliá-los em sua formação, deparei-me com a falta de exposição. Com o acompanhamento do Prof. Márcio Borges pude destrinchar cada conceito e teoria da disciplina de tal forma que pude formular exemplos dos mais variados. Com o treino diário e muita repetição, fui adquirindo raciocínio rápido para a matéria.

Ao longo de dois anos estagiei nestas disciplinas e ao longo de dois anos desenvolvi a habilidade de explicar os assuntos que aprendi. Como as disciplinas eram pautadas na Análise do Comportamento, aprendi minuciosamente seus principais conceitos. E no fim destes dois anos, percebi que obtive uma base teórica forte na abordagem Comportamental, adquiri habilidade crítica para correção de textos e exercícios, aprendi a realizar análise de pesquisas experimentais e desenvolvi uma boa habilidade em explicar a matéria aos alunos de diferentes formas.

Concomitante ao estágio no IESB, tive a oportunidade de estagiar meio período na ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações) durante um período de um ano. Na ANATEL fui impelido a realizar análises de resultados de pesquisas em nível nacional, realizar o tratamento destas informações transformando-as em tabelas, gráficos, relatórios gerais e específicos, relatórios gerenciais e consolidados. Fui submetido, com muito medo, se me permitem relatar, a apresentar os resultados das pesquisas que analisei às Operadoras do Serviço Móvel Pessoal (SMP) de todo o Brasil e também acompanhei uma licitação de uma pesquisa de satisfação que ocorrerá em nível nacional. Senti muito medo na época, por tamanha exposição às situações que nunca imaginei que iria passar, sempre é claro com o suporte da Profa. Orientadora Amélia Alves, mas quem disse que se expor era fácil, não é mesmo?

No fim, perdi o medo de apresentar para pessoas de terno e gravata. As principais habilidades que desenvolvi foram a prática em metodologia de pesquisa quantitativa, utilizando um software estatístico chamado SPSS (uma “mão na roda” para análise de dados de pesquisa), desenvolvi habilidades para apresentar em público, noções de pesquisa social em nível nacional, conhecimentos em pesquisa voltadas ao comportamento do consumidor, psicologia organizacional e do trabalho, ergonomia, a dinâmica de uma organização, gestão da avaliação de satisfação do consumidor e qualidade percebida.

Trabalhando na ANATEL tive a oportunidade de realizar uma pesquisa de preços para um instituto chamado IOST (Instituto Observatório Social de Telecomunicações). O nosso trabalho resumia-se em coletar as informações nos sites das Operadoras de Telefonia Móvel, realizar análise estatística da base de dados e realizar a análise dos resultados. Com esta oportunidade, consegui junto com mais dois colegas da psicologia apresentar este trabalho para o Ministério da Justiça e Ministério das Comunicações em função dos resultados encontrados. E em seguida, consegui um estágio no IOST, na área de pesquisa.

Um tempo antes de sair do estágio do IESB me juntei a um grupo de alunos de psicologia, orientados pelo Prof. Frederico Conde e, com o apoio do Coordenador de Curso, Prof. Todorov, iniciamos o processo de fundação da primeira Empresa de Consultoria Júnior em Psicologia do IESB, denominada Neo. Atualmente, somos 14 alunos trabalhando para a fundação da empresa e já tivemos a oportunidade de realizar um projeto de recrutamento e seleção para uma empresa do mercado.

Todas estas oportunidades foram surgindo em favor das habilidades que fui desenvolvendo com os trabalhos práticos em cada estágio que pude realizar e com os contatos que firmei nos ambientes de trabalho. Às vezes escuto alunos negando se candidatar a estágios por pagar pouco, mas acredito que o objetivo primordial desta formação profissional é o aprendizado prático dos conhecimentos adquiridos no curso.

Definitivamente existem diversos estágios picaretas, assim como o existem em diversas áreas e no mercado de trabalho, contudo, as oportunidades vão surgindo à medida que se consegue maior experiência prática e contatos oriundos das pessoas que conhecemos no ambiente de estágio. No primeiro semestre que estagiei na ANATEL, a bolsa de estágio equivalia a R$ 260,00, 20 horas por semana, há alguns anos a bolsa ainda era menor (perguntem ao professor Frederico Condé). Hoje, os estágios em média estão pagando bolsa de R$ 350,00 (20 horas por semana) com benefícios.

Como estou com “um pé” no mercado de trabalho, percebo que a competitividade é grande e para a área da Psicologia esta realidade não muda. A oportunidade de estágio que se obtiver ao longo do curso tornar-se-á um diferencial para a entrada no mercado de trabalho com maiores chances de competição.
Procure um estágio, corra atrás de sua área de interesse, agarre as oportunidades que aparecerem. Aproveite!

 

Última atualização ( Ter, 12 de Agosto de 2008 16:22 )
 
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